terça-feira, 26 de setembro de 2017

Deixei ir...

Dentro de mim há uma grande confusão, uma disputa de sentimentos, emoções, memórias e saudades. Vivo com dores que me consomem e me ferem por dentro.
Fecho a porta do quarto e escondo-me no meu refúgio e, sem ninguém se aperceber, o meu mundo desaba. Na calada da noite só as paredes ouvem o meu choro baixinho, só a almofada sente e enxuga as minhas lágrimas e os meus soluços abafados. 
No geral chega aquela hora em que não dá para aguentar mais, ser forte cansa e exige muito esforço. Não conseguimos superar, não conseguimos aguentar tanta dor e tudo parece desabar, tudo é intensificado e dói cada vez mais.
Somos obrigados a suportar muitas magoadas e a viver como se fossemos de ferro, mas a verdade é que somos feitos de carne e osso e, portanto, temos as nossas debilitações. Mas há alturas em que precisamos de ganhar coragem e deixar ir embora tudo o que nos tortura.
Deixei ir todas as angústias que vivem dentro de mim, todas as memórias que me empurram para o passado e as saudades que adormecem todas as noites ao meu lado.
Deixei ir… Deixei ir tudo o que me impede de seguir em frente de ser feliz. Todos os medos, todas as dores e cicatrizes que trago comigo.
Libertei-me de tudo isso! Ninguém é obrigado a suportar mais do que aquilo que consegue aguentar. Toda a gente tem os seus limites e os meus já foram ultrapassados há muito tempo.
Deixei ir…E deixei-me ir também. Deixei-me ir para algum lugar onde possa encontrar o sossego que tanto ansiava.


Digo adeus a um velho passado que não me leva a lado nenhum, às memórias gastas de tanto pensar nelas, às saudades que não trazem nada nem ninguém de voltar. Pois por vezes, dizer adeus é a única solução que nos resta.

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